segunda-feira, 6 de março de 2017

INCLUSÃO

VEJA: PREFEITO manda CORTAR TODAS AS ÁRVORES DA PRINCIPAL PRAÇA DE BELFORD ROXO

------------------------------------------------------------------------------

É preciso capacitar

Para Maria Teresa Mantoan, professora da Universidade de Campinas (Unicamp) especialista em inclusão, o cenário educacional brasileiro atual tem como mote principal o acesso, permanência e sucesso de toda criança na escola regular. A educadora afirma que a situação se concretiza como desafio, posto que a escola atual não é feita para todos.
“Até agora, os sistemas de ensino têm lidado com a questão por meio de medidas facilitadoras, como cuidadores, professoras de reforço e salas de aceleração, que não resolvem, muito menos atendem o desafio da inclusão. Pois qualificar uma escola para receber todas as crianças implica medidas de outra natureza, que visam reestruturar o ensino e suas práticas usuais e excludentes. Na inclusão, não é a criança que se adapta à escola, mas a escola que para recebê-la deve se transformar”, aponta.
Como muitas vezes as equipes gestoras não estão preparadas para desenvolver um plano pedagógico com as crianças autistas, é comum que elas sejam acompanhadas por um orientador terapêutico o que, na visão da coordenadora da ONG Autismo e Realidade, Joana Portolese, é um erro. “Não se deve promover a substituição. Quando se entende que um profissional desse é necessário na escola, o trabalho deve ser complementar, sem que isso diminua a responsabilidade do professor”, avalia. Para Joana, não há ganhos ao individualizar a criança autista porque nem se considera como ela se desenvolve diante de um grupo.
Por isso, mais do que a aprendizagem em si, é preciso se ater à qualidade de ensino oferecida. “É necessário um plano de ensino que respeite a capacidade de cada aluno e que proponha atividades diversificadas para todos e considere o conhecimento que cada aluno traz para a escola”, sugere Maria Teresa. A educadora aponta que é fundamental se afastar de modelos de avaliação escolar “que se baseiam em respostas pré-definidas ou que vinculam o saber às boas notas”, critica.

Acesse materiais de apoio para a escola, da ONG Autismo e Realidade.

No caso do autista, o que está em jogo são as habilidades. “É nelas que se deve investir” para, assim, desenvolver as inabilidades, afirma Joana Portolese.  Isso reafirma a necessidade de não se esperar um comportamento dado, ao que a maioria dos indivíduos do espectro autista não corresponde.

Quando a inclusão acontece

Exemplo disso é o estudante André, que pode demonstrar suas habilidades. Enquanto as crianças realizam anotações comuns, ele faz fluxogramas sobre o conteúdo escolar, o que vem sendo utilizado por seus colegas, que tiram fotocópia do material para estudar para provas.
Se no início, a escola havia resolvido não contar sobre o autismo do menino, na 6ª série o próprio estudante, em uma apresentação, socializou com os colegas que ele tinha a síndrome de Asperger (uma das variações do autismo) e suas características, aproximando-o dos demais estudantes. Segundo a professora Maria Teresa, “ter síndrome de Aspenger não define quem é o estudante como pessoa, já que o estudante é muito mais do que essa síndrome”, destaca.
O respeito foi construído em inúmeros outros episódios, como quando André decidiu realizar uma atividade debaixo da carteira escolar. Em vez de puni-lo, a educadora resolveu socializar para toda a turma o modo diferente como o aluno aprendia e, nesse dia, todos os alunos estudaram debaixo da mesa.
Para Janine, que vive a escola de perto com o filho, é preciso sempre explorar a variedade, interpretando o novo como positivo. Ela mesmo costumava propôr alternativas às escolas que não trabalhavam a inclusão. “Na outra escola, na hora do futebol, me diziam que o André se escondia debaixo do banco do vestiário. Até que eu mostrei aos professores que ele poderia ajudar na estratégia do jogo, em vez de jogar. Ele pegava uma caneta e pensava como o time iria fazer o gol”.

Incluir é possível

O educador Severino da Silva, mais conhecido como Billy, viveu rica experiência com uma aluna autista no Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja), no bairro de Campo Limpo, zona sul de São Paulo. “O desafio foi ainda maior porque ela já estava na fase adulta e sabemos que a relação se estabelece mais facilmente na infância”, reconhece. Nem por isso o educador desistiu do processo de aprendizagem que se construiu em cinco anos.
Billy conta que o processo teve como base a aceitação, o respeito e também esclarecimentos sobre a condição de ser autista. “Não dá para se pensar em inclusão se a questão em pauta não for discutida de maneira natural em nossas vidas”, afirma.
Por essa razão, a educadora da Escola da Vila, Maria da Paz Castro acredita ser importante observar o aluno autista também fora do contexto escolar.”A criança autista deve ocupar e fazer uso dos espaços públicos, assim como todos os cidadãos”, afirma a educadora. Para ela, o processo de desenvolvimento desse  indivíduo será  alavancado todas as vezes que ele estiver em situações legítimas de convívio”, avalia.
Essas oportunidades e necessidades são subsídios para a escola trabalhar seu plano de escolaridade, já que a instituição, na visão da educadora, “ é, por excelência um espaço de relação, de construção de autonomia, de resolução de problemas e de aprendizagem”. Para Billy, o processo pedagógico  deve promover a autonomia, “exatamente como fazemos com os alunos que não têm deficiência”, defende.
Para além da relação professor aluno, as estratégias inclusivas devem acionar a comunidade escolar e os familiares dos estudantes. “É importante garantir momentos para que todos discutam a questão e possam pensar de forma conjunta ações concretas para que a inclusão aconteça”, recomenda o educador.
Texto de: http://educacaointegral.org.br/reportagens/autismo-escola-os-desafios-necessidade-da-inclusao/ 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Uma informação importante. Muito cuidado.

Polícia quando dá pra ser vagabundo, é 10 vezes pior que o bandido. Por isso tantos policiais mortos, tantos homicídios, tantos crimes.  ...